quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Epidemia de Diagnostico de Depressão

O Psychiatric News tem um artigo que critica a definição actual de depressão maior sugerindo que tem conduzido a que tristeza normal tenha vindo a ser diagnosticada como uma doença mental grave; aumentando assim o número de diagnósticos.
O artigo argumenta que o diagnóstico não contém qualificadores sobre se a reacção é apropriada ao contexto da vida da pessoa. Por exemplo, alguém que ficou desempregado ou sofreu outra forma de tragédia pessoal pode ser considerada tão “mentalmente doente” como pessoas que têm distúrbios de humor similares sem um desencadeador específico.
Deixo aqui o debate aberto: está esta perturbação (depressão maior) a ser sobrediagnosticada? O DSM não contém estas noções de reacção apropriada ao contexto?
Link: http://www.psychiatrictimes.com/display/article/10168/1347559

BBB10-Heróis?-(Patrícia Jacob)

Semana passada, no dia 11 de Fevereiro, fez 20 anos que Nelson Mandela foi solto, após 27 anos de uma prisão injusta. Foi condenado à prisão por ter desafiado as leis do Apartheid em seu país de origem, a África do Sul. Um exemplo de perdão, superação e resiliência (força emocional para superar adversidades e resistir a pressões emocionais ou traumas), esse homem saiu da prisão cheio de garra, energia e força para continuar lutando contra o Apartheid de uma forma lindíssima: sem luta, sem guerra, sem mortes… E conseguiu! Assim que saiu da prisão, foi eleito o primeiro presidente negro de seu país e, sem ato de violência algum, conseguiu unir brancos e negros na África do Sul. (O filme ‘Invictus’, com Morgan Freeman no papel de Mandela, mostra de forma emocionante como ele fez isso. Vale à pena assistir!)
Sempre que me lembro de Mandela, me lembro de Mahatma Gandhi. Gandhi, um homem miúdo e magro, que se despojou de todos os seus pertences e vestia apenas um pano branco em volta do quadril, tornou-se um dos ícones da paz no mundo. E também conseguiu isso sem sangue, sem mortes, sem violência. Também foi preso (várias vezes), mas sempre utilizou métodos pacíficos para conseguir a independência da Índia em 1947, um país dominado por quase dois séculos pelos ingleses.
E assim como Mandela e Gandhi, a história está repleta de seres iluminados e figuras que, com bom coração e intenções puras, lutam por algo em que acreditam ou lutam por melhorar nosso país, nosso planeta. Ou pelo bem estar dos seus próximos ou de suas famílias, como a maioria dos trabalhadores do nosso brasilzão, que enfrentam diariamente trens lotados, empregos muitas vezes degradantes e ainda assim mantêm sua dignidade e as boas intenções. São estes os verdadeiros heróis!
E é então que me ponho a pensar: como é que alguém tem a audácia de chamar os participantes do BBB de “heróis”??? Que cabimento tem oferecerem o Prêmio Nobel da Paz a Obama, que acabara de enviar 30 mil soldados ao Afeganistão???
Só nesse nosso mundão cheio de valores distorcidos pra isso acontecer… O arrogante, soberbo e individualista é o admirado; o humilde, simples e altruísta é visto como um idiota sem valor. O artista bonitão e vazio é visto como um deus a ser venerado e modelo a ser seguido, mas os heróis de verdade são pouco lembrados e sequer conhecidos pela maioria…